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18/06/2019
(André Monteiro)
Responsáveis por conduzir as boiadas pelas estradas em terra no interior do país, os peões de boiadeiro deixaram para as futuras gerações mais do que o caminho do desenvolvimento. Deixaram sua cultura e culinária como herança em especial para o interior de São Paulo.
O toque do berrante, que era o guia das tropas avisando os horários de partida, almoço, alertando quando algum animal desgarrava, ainda é ouvido na Festa do Peão de Barretos, evento que completa 64 anos e em 2019 acontece de 15 a 25 de agosto.
A montaria em cavalo, estilo cutiano, também foi um costume que nasceu entre as tropas e virou competição oficial. Enquanto descansavam entre uma viagem e outra, os peões domavam os cavalos e assim foi se fortalecendo essa prática que virou modalidade esportiva.
Como viviam pelas estradas a alimentação tinha que ser forte, para que os peões resistissem com saúde tanto tempo fora de casa, e também prática, para que os produtos pudessem ser carregados nas bruacas caixotes de madeira que eram carregadas pelos animais. Foi neste cenário que nasceu a Queima do Alho, um cardápio que tem como base arroz, feijão e carnes e que era preparado em fogões improvisados no chão com pedaços de lenha, chapas e panelas rústicas.
O que foi criado por necessidade tornou-se patrimônio cultural imaterial e sua tradição é mantida em especial pela Festa de Barretos, que realiza o Concurso Queima do Alho desde sua primeira edição (há 64 anos). Em 2019, a disputa culinária reunirá 20 comitivas de diversos estados do Brasil, no dia 18 de agosto, a partir das 11h, no Rancho Ponto de Pouso, Parque do Peão.
Leva o título de melhor Queima do Alho do país a comitiva que preparar o prato mais saboroso seguindo os costumes dos peões de boiadeiro. No cardápio, devem ser preparados, no fogo de chão, e sem nenhuma ajuda de tecnologias, o arroz carreteiro, feijão gordo, paçoca de carne e carne de churrasco.
Coordenador do concurso, João Paulo Martins afirma que não é uma apenas uma competição, mas sim uma grande festa em valorização à cultura sertaneja. “Além das comitivas temos no mesmo dia violeiros, concurso de berrante, apresentação de grupos de catira. É um encontro de apaixonados por esse universo que representa a nossa história”, conta.
Para avaliar os pratos elaborados pelas comitivas, um júri especializado é convidado e prova todas as refeições. “Nessa avaliação a fidelidade à tradição é analisada. Não basta estar gostoso, tem que ser fiel ao que as comitivas faziam no século passado, durante as longas jornadas”, continua João Paulo.
O local onde acontece o Concurso, Rancho Ponto de Pouso – dentro do Parque do Peão – também remete à história do prato e das comitivas. “Era no chamado ponto de pouso que a comida era preparada e os peões descansavam, contavam ‘causos’ e tocavam moda de viola”, explica.
A responsabilidade social, com ações que impactam direta e positivamente a sociedade, está prevista no estatuto da Associação Os Independentes e presente em diversos projetos que ganham ainda mais espaço e oportunidades durante a Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos.
Entre elas, está a parceria com o Hospital de Amor, que há mais de 30 anos desenvolve atividades para arrecadar fundos para a manutenção da instituição, conhecida internacionalmente pela qualidade de atendimento a pacientes de todo País gratuitamente.