De chapéus personalizados a botas de R$ 7 mil, Feira Comercial reúne tendências e lançamentos na 71ª Festa do Peão de Barretos
Mais de 50 expositores ocupam o Parque do Peão com moda, peças exclusivas, personalização e produtos apresentados em primeira mão no evento; marcas estreantes dividem espaço com empresas que acompanham Barretos há décadas
26/08/2026
(Thais Ministro)
Chapéus moldados e personalizados na hora, cintos com iniciais, jeans com franjas e pedrarias, peças em couro e botas que chegam a Barretos antes mesmo de entrarem no mercado. A Feira Comercial da 71ª Festa do Peão reúne mais de 50 expositores e acompanha as transformações do universo western, estilo inspirado no Velho Oeste americano e hoje presente na moda, nos rodeios e no estilo de vida country. Dentro do Parque do Peão, é possível encontrar produtos a partir de cerca de R$ 500,00 além de opções na faixa de R$ 7 mil.
Segundo Marcos Murta, responsável pela Feira Comercial, fabricantes de chapéus, botas e selarias estão entre os segmentos presentes nesta edição. A estimativa é de que a circulação pela área ultrapasse 900 mil visitas ao longo da Festa. “É uma atração à parte, onde as pessoas que vêm curtir o evento podem encontrar tendências, produtos diferentes e conceitos”, afirma.
As lojas têm horários próprios de funcionamento. Enquanto o acesso ao Parque começa pela manhã, parte dos expositores abre entre 10h e meio-dia e mantém as operações até próximo da meia-noite ou 1h, acompanhando o fluxo de visitantes ao longo do dia.
Franjas e brilho marcam estreia em Barretos
Entre as marcas que participam pela primeira vez está a Cutter Jeans, que trouxe ao Parque uma seleção de jeans premium com bordados, pedrarias, franjas e brilho. Os produtos promocionais partem de R$ 500,00 e há modelos que chegam a R$ 1.999,00.
Para Caroline Rubolo, proprietária da Cutter Jeans, a seleção acompanha características procuradas pelo público da Festa. “Por ser rodeio, o pessoal gosta bastante de coisa de franja e bastante brilho também”, conta.
A estreia também é vista pela empresa como oportunidade de apresentar a marca a novos consumidores. “Barretos é um lugar de visibilidade, então eu acredito que para toda marca essa festa é bem importante, e nós estamos muito felizes de estarmos aqui”, destaca Caroline.
Personalização do chapéu à fivela
Na Ansata Country, que participa de Barretos pelo terceiro ano, a compra do chapéu se transforma em uma experiência personalizada. A marca nasceu há cerca de 12 anos na fazenda da família de Mariana Pires Reis, em Rondonópolis (MT), e atualmente tem sede em Balneário Camboriú (SC).
No Hat Bar, o processo começa pela identificação do tamanho e do formato da cabeça. Depois, o cliente escolhe chapéu, fitas, acessórios, penas e outros elementos até chegar à modelagem e à marcação a fogo. Há quem coloque apenas as próprias iniciais e competidoras que escolhem registrar referências aos cavalos.
Letícia Ferreira Oliveira, responsável pelo setor de vendas e headshaper da loja, conta que alguns consumidores vivem ali o primeiro contato com um chapéu personalizado. O modelo escolhido é ajustado e, na sequência, recebe os elementos definidos pelo cliente. Entre os itens de maior procura nesta edição estão justamente os chapéus.
Os produtos da Ansata ficam em uma faixa aproximada entre R$ 1 mil e R$ 4 mil. Em 2026, a marca também levou para Barretos o Bar de Cintos, no qual o consumidor escolhe couro e fivela e pode inserir as próprias iniciais. A coleção Quiet Western Luxury, novos modelos de bolsas e a primeira coleção de botas masculinas da empresa estão entre os lançamentos apresentados na Festa.
Para Mariana Pires Reis, fundadora e diretora criativa da Ansata, o contato com o público permite observar tendências em tempo real. “Barretos é muito interessante porque aqui eu consigo enxergar a resposta desse público praticamente em tempo real”, afirma. Segundo ela, Barretos é atualmente a operação de maior volume de vendas entre as realizadas pela marca.
O impacto, porém, continua depois do encerramento do evento. “Barretos não termina em Barretos”, resume Mariana, ao explicar que consumidores que conhecem a empresa durante a Festa continuam acompanhando a marca pelas redes sociais, pelo site e em outros eventos ao longo do ano.
Do on-line para o provador
A Consciência escolheu 2026 para instalar pela primeira vez uma loja dentro do Parque do Peão. A marca tem Ana Castela como embaixadora e desenvolve duas coleções por ano em parceria com a cantora. Para Barretos, foram levadas peças de propostas country e urbana.
A principal diferença está no contato físico com um público acostumado a encontrar os produtos pela internet. “A nossa intenção é o pessoal conhecer a gente, interagir com as nossas peças, experimentar, porque, como a gente só vende on-line, às vezes o pessoal quer ver, quer sentir”, explicou a equipe.
Chapéu sai da loja direto para a Festa
Na Club 21 Country, o comportamento do consumidor ajuda a explicar a força do chapéu dentro do Parque. Em seu quarto ano em Barretos, a marca levou novas cores, como marsala e areia, além de modelos bordados, customizados e com brilho.
Segundo Pedro Henrique Patrocíni, proprietário da marca, a empresa também ampliou a oferta de cintos, fivelas, carteiras e copos, mas o chapéu segue na liderança da procura. “Está saindo bastante mesmo o chapéu. Aqui na Festa este item lidera”, afirma.
Entre os modelos de maior valor agregado estão peças de maior resistência e chapéus de brilho produzidos artesanalmente. Segundo o proprietário, um modelo mais elaborado pode levar praticamente um dia inteiro para ser confeccionado. “Já é o quarto ano que a gente está aqui. Com certeza o melhor ano até agora. Foi o melhor começo”, afirma Pedro, ao relatar períodos em que a loja permaneceu cheia durante praticamente todo o dia.
Desde 1981 na Festa do Peão
Se algumas empresas estão construindo sua história em Barretos, outras acompanham diferentes gerações de visitantes. Robson Luiz Rosa, conhecido como Queijinho, participa da Festa com a Pralana desde 1981, inicialmente ao lado do pai. São cerca de 45 anos de relação com o evento.
Em 2026, a carreta da marca apresenta lançamentos de chapéus da linha deste ano. Segundo Robson, aproximadamente 90% da procura no espaço está concentrada justamente nesse item. “Tem desde o mais simples até um chapéu mais sofisticado. Tem muita gente que gosta de chapéu, assim como tem muito pessoal que é entusiasta, gosta de chapéu, vem para o evento e leva também”, relata.
Barretos recebe lançamentos antes do mercado
A relação da Goyazes, de Goiânia (GO), com a Festa começou em 2006. Naquele ano, a operação cabia em uma pequena tenda de três por dois metros. Vinte anos depois, 38 pessoas integram a operação montada no Parque. Em 2026, a procura começou antes mesmo da abertura oficial da Festa. Segundo Fábio, visitantes que já estavam no complexo começaram a buscar os produtos, e a loja iniciou as vendas dois dias antes do início do evento.
Os primeiros dias trouxeram ainda um resultado inédito. “Foi o recorde de vendas da Goyazes em 20 anos, em um dia”, afirma. A movimentação foi suficiente para fazer a empresa projetar o segundo fim de semana com quantidade menor de mercadorias disponíveis.
Dentro da mesma estrutura, a GYS Ranch, fundada por Lízia Camila Maia, levou peças de couro legítimo voltadas ao público country. Depois da estreia no ano passado, a marca dobrou a quantidade de produtos para 2026, incluindo coletes com franjas, apliques e bordados e jaquetas para diferentes momentos do dia.
Os coletes foram reforçados nesta edição como alternativa para as temperaturas mais altas durante o dia, enquanto as jaquetas seguem entre os produtos mais procurados à noite. A resposta apareceu rapidamente. “A gente dobrou a quantidade de peças do ano passado e a gente está no terceiro dia e já está esgotando”, conclui Lízia.