Festa do Peão de Barretos é palco da preservação e inovação sertaneja no Brasil
Completando 70 anos em 2025, evento reforça a importância e a tradição das raízes culturais com rodeios, shows e gastronomia
27/08/2025
(André Monteiro)
Mais do que um espetáculo de arena, a Festa do Peão de Barretos reafirma seu papel como guardiã da tradição sertaneja no Brasil. A música, os rodeios, os costumes e a gastronomia que se encontram na cidade durante o evento revelam como o sertanejo transcende fronteiras e gerações, tornando-se parte fundamental da identidade cultural brasileira. Em Barretos, tradição e modernidade caminham lado a lado, preservando raízes e celebrando a força de um legado que emociona o país.
Criada em 1956 pela Associação Os Independentes, a festa surgiu com o propósito de comemorar o aniversário da cidade e arrecadar fundos para entidades assistenciais. Ao decorrer dessa trajetória de 70 anos, ela se consolidou como a maior festa do gênero na América Latina, sendo reconhecida mundialmente por sua grandiosidade, organização e respeito às tradições.
“A Festa do Peão de Barretos vai muito além do entretenimento. Ela é um encontro de gerações, um espaço onde a tradição sertaneja é vivida e transmitida, mantendo vivas as raízes culturais do nosso país. Para nós, é motivo de orgulho sermos guardiões dessa história e, ao mesmo tempo, protagonistas na construção do futuro da cultura sertaneja no Brasil”, afirma Jeronimo Luiz Muzeti, presidente de Os Independentes.
Segundo Elisete Greve Tedesco, historiadora e presidente da Academia de Letras e Artes de Barretos – ALAB, as tradições sempre influenciaram os usos e costumes dos povos. “A Festa do Peão de Barretos mantém viva práticas equestres, as montarias em touros, evidenciando as lutas dos homens e dos animais, os resultados sempre serão: os oito segundos nos lombos dos animais bravios, os pódios da glória, ou, o chão que sempre será o limite”, diz a historiadora.
De acordo com a especialista, Barretos deu origem a outras milhares de festas sertanejas que existem no país. Foi através dos usos e costumes dos assíduos frequentadores, como calças jeans, botas, chapéus, cintos e fivelas, que retratam os mais diversos símbolos tanto da fé, quanto, da gastronomia, como a tradicional “Queima do Alho”, surgida nos transportes de boiadas pelos sertões afora. “A perícia dos cozinheiros dourando o alho e a cebola nas panelas de ferro, motivando os peões a apressarem a marcha, para degustarem a deliciosa boia. São tantos os ícones que Barretos exporta para as demais localidades, vestimentas, religiosidade, bordões, gastronomia, gêneros musicais, a mistura de tradições e modernidades”, afirma Elisete.
Para a historiadora, o que faz essa tradição sertaneja continuar atravessando gerações e conquistando novos públicos são as memórias de Barretos, que se mantêm vivas, fortes, inclusivas e emocionantes, por meio das músicas, nas torcidas pelos peões na arena, nas orações rogando bênçãos aos peões e, aos milhares de trabalhadores que fazem a festa acontecer. “Hoje, o país não cantaria as composições sertanejas como canta, não teria tantas expressões artísticas no setor, não existiriam tantas festas, shows e rodeios. Citar a infinidade de influências ocasionadas pelas Festas do Peão de Boiadeiro de Barretos no cenário nacional sempre será imprudência, certamente, algo ficará no esquecimento”, conclui a historiadora.